No Dia Internacional da Mulher, um olhar sobre arquitetas que moldaram cidades, espaços públicos e o pensamento urbano no Brasil
No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, revisitar a história da arquitetura brasileira é também reconhecer mulheres que participaram ativamente da construção física e simbólica das cidades. Em períodos marcados por forte predominância masculina nas áreas técnicas, elas ocuparam espaços, lideraram projetos e influenciaram o modo como o país passou a pensar moradia, paisagem e planejamento urbano.
Arinda da Cruz Sobral ocupa lugar pioneiro nessa narrativa por ter sido a primeira mulher diplomada em Arquitetura no Brasil. Em um contexto no qual o acesso feminino às escolas técnicas ainda era restrito, sua formação representou ruptura e avanço institucional. Sua presença abriu caminhos para gerações seguintes e consolidou a inserção feminina na profissão em um momento decisivo da arquitetura moderna brasileira.

Entre elas está Lina Bo Bardi, cuja obra transcende o campo arquitetônico e dialoga diretamente com cultura e sociedade. Ao projetar o MASP com seu vão livre estrutural ou transformar antigas fábricas no Sesc Pompeia, Lina propôs uma arquitetura que valoriza convivência, transparência e uso coletivo. Sua atuação redefiniu a relação entre edifício e cidade e consolidou uma linguagem que permanece atual.


Rosa Kliass ampliou o debate ao inserir o paisagismo no centro do planejamento urbano. Defensora dos espaços públicos como estrutura essencial da vida nas metrópoles, participou da formulação de parques e projetos que consolidaram áreas verdes como parte permanente da cidade, assim como deu novo ritmo ao Vale do Anhangabaú. Seu trabalho reforçou a ideia de que urbanismo não se limita ao edifício, mas envolve o desenho do território.


Já Lota de Macedo Soares deixou marca profunda no desenho urbano ao idealizar o Parque do Flamengo. Embora não fosse arquiteta de formação, coordenou um dos maiores projetos paisagísticos do país, articulando profissionais, governo e sociedade civil. Sua atuação comprova que a construção da cidade também depende de liderança, pensamento urbano e capacidade de execução.

Arquitetura não é apenas cálculo e estrutura. É escolha, intenção e modo de viver. Ao reconhecer o legado dessas mulheres, lembramos que cada cidade carrega histórias de coragem inscritas em suas formas. E morar é, de certa maneira, escolher qual dessas histórias queremos continuar escrevendo.